Tatuagem eletrônica usa rugas da pele para aumentar sua eficiência

Uma equipe de pesquisadores da China desenvolveu uma nova técnica de aplicação de tatuagens eletrônicas que torna os dispositivos até 800% mais flexíveis e amplificou o sinal de saída dos sensores integrados em até três vezes. A tecnologia utiliza as próprias ranhuras da pele para uma fixação mais firme da tatuagem.

“As tatuagens eletrônicas têm um grande potencial em aplicações de detecção de movimento e saúde na pele”, explicam os cientistas, liderados pelo engenheiro especializado em biomédica e nanociência, Lixue Tang. “No entanto, os dispositivos existentes hoje não têm a capacidade de ser flexíveis, ao mesmo tempo que se prendam firmemente à pele e funcionem em múltiplas camadas”, completam.

O método desenvolvido pelos pesquisadores, e relatado em um estudo publicado na revista Science Advances, envolve a fabricação da tatuagem camada por camada, com o circuito “sanduichado” no meio. O dispositivo de três camadas integrou um aquecedor e quinze sensores usados para controlar remotamente uma mão robótica.

Técnica foi utilizada para criar um sensor que controlou uma mão robótica. Imagem: Science Advances/Reprodução

A maioria parte dos dispositivos vestíveis atuais são feitos de substratos de silicone macio e são compatíveis com tecidos humanos – incluindo pele, cérebro e coração – mas esses materiais também são quimicamente inertes, o que os impede de formar ligações firmes na pele. “As deformações nos tecidos separam parcial ou totalmente os dispositivos à base de silicone, causando uma interface instável entre o corpo e os dispositivos”, explicam os pesquisadores.

A ideia é usar as tatuagens eletrônicas para conectar dispositivos vestíveis ou implantáveis ao corpo. Os pesquisadores defendem que a técnica METT (multilayered electronic transfer tattoo) consegue integrar circuitos com funções múltiplas, ao mesmo tempo que usa vincos e impressões digitais na pele para uma fixação até oito vezes mais firme durante as deformações causada pelos movimentos.

A estrutura do METT ainda permite usar essas ranhuras na pele para gerar um efeito de amplificação, concentrando a tensão na dobra da pele para triplicar o sinal de saída dos sensores. A equipe usou uma conexão Bluetooth para transferir os sinais causados ​​ao se dobrar os dedos da mão para uma réplica robótica.

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