Fevereiro 2022


A invenção da internet é um assunto polêmico que divide opiniões e com pouco consenso. Há quem atribua o feito a Tim Berners-Lee, considerado o "pai da World Wide Web", mas afirmar isso seria desconsiderar conceitos fundamentais além da rede mundial de computadores. A internet é um conjunto de protocolos diversificados para interligação de pessoas e os websites são apenas uma das pernas de sustentação do ambiente online.

Na verdade, a internet é fruto do trabalho de dezenas de cientistas, programadores e engenheiros, cada qual com suas contribuições tecnológicas agrupadas para pavimentar o caminho conhecido hoje. Para entender melhor a origem é preciso retroceder várias décadas, do começo do século até o período da Segunda Guerra Mundial.


Muitos estudiosos já haviam antecipado a existência de redes mundiais de informação, como Nikola Tesla, que "brincou" com a ideia de um “sistema mundial sem fio” no início dos anos 1900, e pensadores visionários como Paul Otlet e Vannevar Bush, que conceberam sistemas de armazenamento de livros e mídia mecanizados ​​nas décadas de 1930 e 1940.

A internet propriamente dita surgiu da necessidade de comunicação durante o conflito político entre os Estados Unidos e a União Soviética pelo domínio tecnológico (e ideológico) mundial.

Arpanet e o começo da internet
O primeiro protótipo viável da internet surgiu no final dos anos 1960 com a criação da Arpanet (Advanced Research Projects Agency Network), ou Rede da Agência de Pesquisas em Projetos Avançados, em português. Originalmente conduzida pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com recursos da NASA e do Pentágono, a Arpanet usava comutação de pacotes, ou seja, a transferência de pequenos bits de dados através de redes diferentes para intercomunicação entre computadores.
A Arpanet chegou a conectar as principais universidades dos Estados Unidos (Imagem: Yngvar/Wikipedia)

Em 29 de outubro de 1969, a Arpanet conseguiu entregar sua primeira mensagem entre duas máquinas, ambas com quase o tamanho de uma casa, fisicamente distantes: uma estava em um laboratório de pesquisa na Universidade da Califórnia (UCLA) e outra na Universidade Stanford. A mensagem enviada era a palavra "Login", curta e simples, mas que não foi recebida com o sucesso desejado — apenas as duas primeiras letras chegaram no outro computador.

Depois, um novo teste envolveu o envio de uma mensagem um pouco maior: "Você está recebendo isso?". Ao ter a afirmativa rápida dos destinatários, ficou claro que a técnica havia funcionado.

Surgimento do TCP/IP
A tecnologia passou por diversos aprimoramentos na década de 1970, após os cientistas Robert Kahn e Vinton Cerf, ambos dos EUA, desenvolverem o Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP), um modelo de comunicação que estabeleceu padrões sobre a forma como os dados poderiam ser transmitidos entre várias redes simultâneas.

Quando você envia um e-mail para alguém, em vez de precisar estabelecer uma conexão com o destinatário antes de enviar, o e-mail é dividido em pacotes e pode ser lido assim que todas as frações são recebidas e remontadas do outro lado. É justamente isso que o TCP/IP fazia e foi o que garantiu o sucesso na transmissão de dados.

O modelo de TCP/IP segmenta dados em pacotes e usa a internet para enviar para ao destinatário (Imagem: Reprodução/DataRain)

A "parte TCP" é responsável por empacotar os dados antes que eles se movam pela rede e descompactá-los assim que chegarem. O componente "IP" atua como "coordenador de viagem" e mapeia o movimento das informações do ponto inicial ao ponto final ao estabelecer um "endereço virtual" para cada computador.

A Arpanet adotou o TCP/IP em 1º de janeiro de 1983, e isso possibilitou aos cientistas criarem inúmeras redes distintas. Dessa forma, agentes infiltrados na Rússia e outros países rivais dos EUA poderiam se comunicar com militares de sua terra natal sem precisar recorrer aos telefones, que poderiam ser grampeados, ou depender da lentidão das cartas.

A criação do WWW
O mundo online assumiu uma forma mais amigável às pessoas em 1990, quando o cientista da computação britânico Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web. Embora seja frequentemente confundida com a própria internet, a teia mundial de computadores é somente o meio mais comum de acessar dados online na forma de sites e hiperlinks.

Em um laboratório da Suíça, no ano de 1989, Berners-Lee conseguiu criar um programa capaz de transformar dados em algo visível para as pessoas. Na época ele trabalhava para a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear e não fazia ideia de que o WWW mudaria os rumos da internet.

Tim Berners-Lee é atribuído erroneamente como o "pai da internet", mas ele apenas criou um pedaço dela: a World Wide Web (Imagem: ITU Pictures/Visualhunt)

Para fazer tudo funcionar, o programador precisou criar uma linguagem específica para confecção dos sites (o HTML) e um protocolo de transmissão de informações (o HTTP). Essa "dupla dinâmica" perdurou por quase 20 anos e existe até hoje — sites em HTML são considerados ultrapassados e o protocolo HTTP ganhou uma camada extra de segurança, mas ambos ainda estão presentes em muitas páginas.

A criação da World Wide Web abriu caminho para a exploração comercial da internet, pois a fez deixar de ser um mero instrumento de comunicação entre universidades e departamento de defesas, para começar a invadir empresas e casas.

Cientistas reconhecidos
Tim Berners-Lee deu uma contribuição tão imensa para a humanidade que o fez receber o título de cavaleiro da rainha da Inglaterra em 2003. Atualmente, ele é professor na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e no Massachusetts Institute of Technology, nos EUA.

Já os precursores Cerf e Kahn receberam em 2004 o prêmio A.M.Turing Award, o prêmio mais elevado no campo da tecnologia da informação. Vint Cerf tem 78 anos, extensa carreira acadêmica — com diversos títulos honorários e doutorados — e membro do ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers). Já Robert Kahn também atua como professor, é dirigente da Bell Labs e presta consultorias para a Defense Advanced Research Projects Agency, nos Estados Unidos.

Graças a esses e outros gênios da academia, a internet pode chegar ao momento atual, com redes sociais, streaming e dispositivos inteligentes. A invenção desses estudiosos, em uma época em que tecnologia era algo distante, teve um impacto incalculável nos negócios, nas relações e na humanidade em geral.


Arma com sistema de identificação por impressão digital (Imagem: Reprodução/Biofire)

Armas inteligentes — que só disparam nas mãos de usuários autorizados — estão cadas vez mais próximas de chegar aos consumidores norte-americanos após quase duas décadas de polêmicas e controvérsias. Pistolas que usam leitor de digitais, sensor de aproximação e senha para atirar já entraram na fase final de testes no país.

A empresa LodeStar Works fez uma demonstração à imprensa e a investidores do setor de uma pistola 9 mm com esse sistema de personalização. Além dela, a SmartGunz também informou que um modelo similar, mais simples e com menos funções, já começou a ser testado por policiais do estado do Kansas, nos EUA.

“Nós nos inspiramos em histórias sobre crianças baleadas enquanto brincavam com armas de seus pais. As pistolas inteligentes podem impedir essas tragédias usando a tecnologia para autenticar a identidade de um usuário e desabilitar a arma caso alguém tente dispará-la”, explica o cofundador da LodeStar Gareth Glaser.

Arma com autenticação
As armas inteligentes usam basicamente dois tipos de sistemas para verificar a autenticidade de seus usuários. O primeiro utiliza tokens que funcionam por meio de radiofrequência (RFID), instalados em pulseiras, relógios, anéis e outros dispositivos vestíveis que fazem a confirmação com base na proximidade.

Modelo da SmartGunz em teste por policiais dos EUA (Imagem: Reprodução/SmartGunz)

Já o segundo método de verificação utiliza uma tecnologia de reconhecimento biométrico para liberar o funcionamento da arma após identificar características biológicas do usuário, como impressão digital, diagnóstico da palma da mão ou comprovação da empunhadura do proprietário.

“Com esses sistemas de verificação do usuário, essas armas inteligentes também podem ajudar a reduzir suicídios, tornar inúteis pistolas e revólveres perdidos ou roubados, além de oferecer segurança para policiais e guardas prisionais que não terão que se preocupar se seu armamento cair nas mãos de bandidos”, acrescenta Glaser.

Quanto vai custar
Para aumentar a segurança das armas, o modelo em testes da LodeStar possui um leitor integrado de impressão digital e um chip de proximidade ativado por meio de um aplicativo de celular. A empresa pretende lançar a pistola inteligente com preço estimado de US$ 895 (cerca de R$ 5 mil na cotação atual).

Já a variante desenvolvida pela SmartGunz virá com um sistema proprietário de identificação por radiofrequência que só libera o disparo quando um chip embutido na arma se comunica com outro usado pelo seu proprietário. A versão para policiais custará US$ 1.795 (R$ 10 mil) e o modelo para civis não sairá por menos de US$ 2.195 (cerca de R$ 12 mil).

A ideia é que esses dispositivos personalizados, em que o gatilho só é liberado se for apertado por utilizadores cadastrados, estejam disponíveis comercialmente ainda em 2022. “Após anos de tentativa e erro, a tecnologia foi avançada o suficiente e a microeletrônica dentro da arma está bem protegida. Estamos prontos para lançar nossos produtos para o consumidor final”, comemora Glaser.

Fonte: Reuters

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